segunda-feira, 7 de julho de 2014

Nosso mundo de heróis com corações partidos

Fui ao cinema há pouco tempo assistir ao filme “Malévola” e, após a sessão, tive certeza de que meu próximo post seria inspirado no filme. Não se trata de uma sinopse, tampouco uma crítica. Pretendo levantar aspectos relevantes para reflexão que até mesmo quem não assistiu ao filme pode achar interessante e vir a assistir também: acredito que é uma experiência muito válida.
Em todos os contos infantis em suas versões originais, percebe-se a presença de um personagem “bonzinho” e, em contraposição, um personagem única e extremamente cruel. Esses são denominados pela literatura como personagens “planos”. Já nos (re)contos modernos, existem adaptações dessas histórias que, de forma fascinante, expõem as crianças ao lado humano dos personagens: os mesmos agora possuem grande densidade psicológica e aspectos de personalidade que a criança pode perceber como se constituíram ao longo da história. Esses novos personagens são definidos como “esféricos”, pois se pode identificar tanto o bem quanto o mal em suas ações e sentimentos. Na sessão do filme “Malévola”, que assisti com meu irmão de 7 anos, durante a cena em que a Malévola era uma criança ele perguntou:  “Ué, essa é a Malévola? Ela não é malvada?”. E depois, quando ela se tornou adulta (que no filme ocorre repentinamente), ele perguntou: “Agora sim ela é malvada né?”. 
Interessante essa tendência em classificar e separar o “bom” do “mau”. Eu não tiro o mérito desse aspecto dos contos de fada e, para justificar, conto a vocês o que foi defendido pelo autor Bruno Bettelheim, em seu livro “A psicanálise dos contos de fada”: de acordo com o psicólogo, os contos de fada são de extrema importância para a criança, pois as histórias falam ao ego que desabrocha e encorajam seu desenvolvimento, ao mesmo tempo em que aliviam pressões pré-conscientes e inconscientes. Isso ocorre da seguinte forma: no conto, os processos interiores da criança são exteriorizados no momento em que ela escuta a história e dá significado aos seus sentimentos através das ações e sentimentos dos personagens. Então, seus sentimentos se tornam compreensíveis por serem representados pelos diversos acontecimentos, tanto os bons quanto os malvados. Por isso é muito importante haver essa divisão nítida, para que a criança transfira todas as suas más emoções às personagens cruéis que, ao final da história, sempre são mortas ou desaparecem para sempre. Já o lado bom prevalece e é com ele que a criança se identifica, por fim. Todo ser humano cresce em busca de significados e a infância é a fase mais importante na constituição dos mesmos, pois há uma constante descoberta de emoções e uma grande gama processos psicológicos muitas vezes desconfortáveis para a criança (como o Complexo de Édipo, por exemplo). Transferir essas pulsões para os personagens promove um desenvolvimento saudável da psique.
Dando um tempo com a teoria, vamos voltar ao aspecto esférico dos personagens das histórias modernas: “Malévola” é um belo exemplo disso. A personagem aparece no clássico conto da Bela Adormecida como uma fada maligna que, ao ser negligenciada pelo rei, lança um feitiço em sua filha recém-nascida (Aurora). Mas o filme lançado recentemente mostra os reais motivos de Malévola ter lançado o feitiço e, curiosamente, depois se arrepende de ter o feito. É uma grande mudança de paradigma, que demonstra claramente que o mal não surge sozinho e sem razão: o mal surge a partir dos diversos outros males aos quais os seres humanos são acometidos. De forma muito profunda, o filme mostra porque Malévola age de forma tão cruel e como ela se redime e consegue superar todo o mal que partiu seu coração.
Muito fácil transpor todos esses significados às nossas vidas, não é mesmo? Quantas vezes julgamos nossos atos por acreditarmos tanto que temos de “ser” pessoas boas? Sim, temos de pensar no bem comum e também no nosso próprio bem, isso é aprendido socialmente. Mas deve haver uma tolerância com sentimentos, por piores que sejam em certos momentos. As pessoas vivem em busca de constituir uma identidade para que possam saber quem são, o que gostam de fazer, o que querem para o resto da vida... Sem levar em conta a essência efêmera que tem o ser humano e seus respectivos sentimentos. Nós, no fundo, não “somos” nada: assim como não existem pessoas totalmente boas e pessoas totalmente más, pessoas totalmente confiáveis ou pessoas totalmente irresponsáveis. Quando se trata dos outros, julgar é fácil, quando não se sabe o real motivo pelo qual as pessoas fazem o que fazem. É importante ter em mente que nada surge sem uma razão, uma origem. Essa origem pode ser familiar, pode ser traumática ou de um momento bom e marcante, enfim. Toda e qualquer ação humana tem uma raiz muito subjetiva que vem da história de cada um e acredite: pensar dessa forma pode melhorar muito a sua relação com o mundo.
Por fim, acho que falta compreender o que até os contos de fada já adaptaram em suas histórias: É preciso aceitar as emoções inerentes à natureza humana, mesmo que sejam contraditórias. Justamente! Devemos ter conhecimento da efemeridade das emoções e sentimentos, bem como de que esses vêm como uma carga muito subjetiva de cada um, e que cabe a nós compreender na medida do possível, ao invés de classificar o próximo de acordo com suas ações, ou até classificar a nós mesmos. Nem sempre é um bom dia pro seu colega de trabalho, pra sua família ou pros seus amigos. Nem sempre é um bom dia pra você! Às vezes o que você e os outros precisam é de uma boa dose de compreensão para que tudo venha à tona – como em um filme, mesmo – em que a personagem malvada é na verdade uma heroína que teve seu coração partido um dia.

domingo, 15 de junho de 2014

Olhares: o SEU e o MEU ponto de vista

Devido a mudanças profissionais, atrasei a postagem e aumentei minha curiosidade e ansiedade para ler o próximo post da minha parceira Verena.
Algumas experiências sobre a comunicação me levaram a esta escrita: a necessidade do ser humano de ser compreendido, ou, a insatisfação da incompreensão, que culmina no sentimento de indiferença. Quantas vezes você disse A e entenderam Z? E quantas tentativas foram realizadas de tentar explicar esse A, e o resultado da comunicação não chegou nem perto desta vogal? Pior é quando o emitente e emissor acreditam que se comunicaram efetivamente, e cada um vai para seu lado, um com seu A e outro com H...

Com essa sopa de letrinhas, acredito que temos quatro tipos de situações.

Certas vezes, a pessoa está com o estereótipo tão aguçado que, antes de proferir qualquer palavra, as pessoas já imaginam coisas boas ou coisas ruins. Se o emissor é uma pessoa equilibrada, sempre agindo com sensatez, a revolta e a rejeição do emitente sobre um comportamento contrário é imediato, sem reflexões. O histórico torna-se totalmente desmerecido, surgindo sentimentos de injustiça, ingratidão...

O conhecimento científico e o empirismo travam também suas barreiras. Discussões desnecessárias se alastram e o denominador comum não se concretiza. Os pontos de vista podem ser dos mais variados: baseando-se em cientistas, doutrinadores, regionalismos ou experiências cotidianas que acabaram dando certo.

Fonte: Disponível em http://profbiriba.blogspot.com.br/2013_04_01_archive.html. Acesso em 15 jun. 2014.

Saber se expressar é uma grande aptidão. Entender a expressão tal como ela é, uma dádiva. Certa vez, ainda na época de namoro, aprendi uma grande lição, que foi apreendida: devemos dar o valor real das coisas, saber a real intenção daquela pessoa. Assim, evitamos frustrações e brigas inúteis.

Por último, temos as chamadas bocas e ouvidos viciados. Aquela pessoa que sempre fala o que quer e aquela que escuta o que quer, agindo com o que lhe é mais conveniente. Depende de suas perspectivas e necessidades. Relacionar e conviver com esses característicos, é uma batalha diária.

Quando você é sempre mal compreendido, acredite: o problema pode estar em você! Os seus sentimentos podem estar confusos. Um grande sinal é visualizar se determinados afastamentos das pessoas estão ocorrendo ou simplesmente perceber que você mesmo se exclui das relações. Talvez seja o momento de procurar ajuda.

Uma grande amiga me disse algo para despertar ainda mais a minha vontade de escrever: "a verdade de um é uma. A verdade do outro, é outra. E, talvez, nenhuma destas pode ser de fato a verdade". Assim são os pontos de vistas, suas verdades, seus afãs...
O que mais fere é que, como dizia Henry James, “não há mentira pior do que uma verdade mal compreendida por aqueles que a ouvem”.

Para finalizar a postagem, apresento uma grande música, que, inevitavelmente, tudo depende do que relacionamos em nossa mente.

Quero Ver Você No Meu Lugar (Isabella Taviani)
Eu quero um pouco mais de mim
Eu quero um pouco mais pra mim
Eu quero simplesmente
Eu quero que acrescente
Eu sei que a vida às vezes dói
Eu sei que o tédio me corroí
Eu posso ser surpresa
E levantar ilesa
Diante da temperatura do ambiente
Sou quente, sou morna, sou fria ou dormente
Às vezes sou aperitivo ou banquete
Depende do que você relaciona em sua mente
Diante do padrão da moda que é vigente
Sou capa de revista ou jornal de ontem pra embrulhar presente
Depende do que você relaciona em sua mente
Eu só não quero o que sobrou
Restou, caiu e entornou
Eu quero a sobremesa
E sair à francesa
Se eu tiver que escolher
Prefiro mais o lado b
Não sigo a cartilha
Eu não sou parte da quadrilha
Eu só quero o que sobrou
Restou, caiu e entornou
Dispenso a sobremesa
Pra comer à francesa
Se eu tiver que escolher
Prefiro mais o lado z
Sigo a minha cartilha
Sou a líder quadrilha
Eu vou botar você na roda pra gingar
Eu quero ver você fazer acontecer
Vai rebolar para tentar me convencer
Queria ver você no meu lugar

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os sonhos nos convém

Como é bom dar início à novos projetos! Me sinto honrada com essa oportunidade do blog, onde eu vou dar consistência às idéias que mais me inspiram no dia-a-dia, como também me sinto honrada de criar em parceria com a Rafa, que é uma pessoa maravilhosa!

Sem mais delongas com introduções, gostaria de dar início à minha participação no blog com dois elementos que vão dizer quem eu sou (sem que eu me apresente especificamente), a saber:  música e psicologia.

Vejam que relação interessante o autor Leonardo Luiz estabeleceu em seu livro Música no divã:
“Tanto na música como na psicanálise, temos a presença de sonoridades. Na primeira, pelo canto, ritmo, melodia e harmonia; na última, pela interpretação clínica dos sentidos da fala e suas inflexões, pelo silêncio e pausas.”

Desde pequena me interesso por música e meu sonho era ser compositora e cantora. Tudo bem para mim se eu vivesse só disso, eu seria feliz mesmo se não chegasse a ser famosa ou rica. Geralmente esses sonhos de infância se dissipam ao longo da vivência em sociedade devido às influências sociais e morais, mas em mim isso permaneceu até hoje, eu diria.

A mudança se deu apenas com o acréscimo de uma nova identificação, a psicologia, que se deu com o reconhecimento de que o outro (inclui-se todas as diferentes pessoas) é o que mais promove crescimento pessoal e espiritual no ser humano. A história desse reconhecimento eu conto a vocês em outra oportunidade. Meu objetivo pessoal com a psicologia sempre foi compreender ao máximo o que há de mais subjetivo e peculiar em cada sujeito com o qual vou me deparar na clínica e em outros contextos terapêuticos, para que cada experiência dessas acrescente em mim o que há de mais sublime nos seres humanos: a relação com a alteridade e sua consequente troca de experiências.

Onde a música entra em meio a tudo isso? Para mim, encontrei alternativas para não ignorar essa parte da minha essência, a saber: pretendo me aprofundar, ao longo da minha formação, em técnicas de musicoterapia (uma vertente psicológica que se relaciona diretamente com elementos musicais para promover o autoconhecimento); produzo (geralmente com participações) e publico gravações musicais na internet, o que têm resultado em ótima receptividade de amigos e até mesmo de desconhecidos; Para mim esse foi o ponto de equilíbrio: a música como um hobbie e como um potencial  método terapêutico.

O que quero que se atentem é ao valor simbólico da música aqui: qual é o anseio ou sonho que você carrega consigo que não consegue vivenciar em seu presente? Acredito que seja importante dar voz aos projetos que muitas vezes são deixados para trás por falta de motivação ou da crença de que aquilo daria certo. Isso tudo envolve autoconhecimento e “garra” para sair da mesmice e ir de encontro ao que você entende como essencialmente seu.


Como dizia Freud, o homem deve libertar sua mente da lógica imposta pelos padrões comportamentais e morais estabelecidos pela sociedade e dar vazão aos sonhos e às informações inconscientes. Mesmo que ele se refira aí ao saber inconsciente (o que exige para seu alcance uma terapia psicanalítica), peço que se atentem ao fato de que é preciso dar vazão aos nossos sonhos, muitas vezes conscientes, mas obscurecidos por medo, insegurança, desculpas de que não somos capazes ou de que aquilo não nos convém. 

Por fim, percebam: Todos os nossos sonhos e anseios nos convém. É preciso valorizá-los e colocá-los em ação na medida do possível, pois isso vai se refletir em uma constante gratificação com o dia-a-dia e, consequentemente, promoverá felicidade.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Novos ventos

Estou louca para escrever sobre um tema que estou devendo a mim mesma colocar pra fora. Mas, devido a uma nova voz [ou novas letras], este tema ficará para maio, 15 de maio.

Quase dois anos depois, venho atualizar esta página com uma grande notícia. Nova parceira no ar! Ela é Verena Bello! Minha nova parceira nas palavras, vamos colocar este Blog pra andar. Suas postagens dispensarão apresentações. Mas, inevitavelmente, tenho que contar como nos conhecemos. Foi um dia agitado. Dois setores se cruzaram. Um auxílio, uma mera ajuda, a cativou e ela foi encontrar um novo abrigo, uma “segunda casa”. Trabalhamos juntas pouco tempo, mas na minha despedida, percebi que ganhei tudo que eu precisava: amigos sinceros, aprendizados, novos desafios e um grande incentivo de voltar a escrever.

Escreveremos em quinzenas. Ela dia 1º e, eu, aos dias 15.

E para meu recomeço [mais um, dentre tantos], esta imagem me chamou a atenção:
 
 

Frase que é título da obra do autor Roosevelt Andolphato Tiago.

Perceber que não há mais vento, é divino! Perceber que é momento de se retirar nem sempre é visível. Saber exatamente quando os ciclos se fecham para que tenhamos a chance de outros se abrirem, é a própria oportunidade sendo desvendada.

Nos apegar às coisas e pessoas, sinto que é perfeitamente normal. Reclamamos de rotinas, mas não vivemos sem elas. Nos acomodar significa que passamos por turbulências, que elas se acalmaram e que não estamos dispostos ou de fato querendo novas turbulências, porque assim tá bom. E esse ‘bom’ pode ser bom mesmo. Perceber que o ‘bom’ pode ser melhor ou apenas diferente, ou que os hábitos estão viciados, é uma linha notória que o ciclo está para se fechar.

E assim aconteceu. Estou a remar. E não sei quando o vento irá chegar. Mas está cedo ainda. Estou remando! Muito!!!

Estou remando com a experiência inenarrável da maternidade. É! Minha bebê nasceu em 30 de março de 2013. Um grande presente, uma grande dádiva. É o fruto de um relacionamento. Remamos para isso!

“Se perguntar o que é o amor pra mim, Não sei responder, Não sei explicar. Mas sei que o amor nasceu dentro de mim, Me fez renascer, Me fez despertar!” Arlindo Cruz

"Quando nasce um bebe…
nasce uma mãe,
nasce a cumplicidade,
o silêncio,
a delicadeza,
nasce a saudade,
a insegurança,
nasce o diálogo,
nasce um pai,
a amizade,
a vontade de viver mais,
quando nasce um bebê a vida renasce"


(texto retirado da propaganda Johnson & Johnson)
 
A maternidade é digna de um livro, ou suas doses hebdomadárias.

 
Estou remando com a experiência de um novo ambiente de trabalho, novas pessoas, novos produtos.
 
Estou remando com a experiência de novos hábitos, como o da leitura, da paciência, da perseverança.

Estou remando com a experiência de fazer novas amizades, entendendo que cada um carrega uma grande história e suas estórias.

Estou remando com a experiência de entrega, deixar que Ele comande.

O vento irá chegar. Mas, na boa: não está na hora. EU QUERO MAIS É REMAR!
 
Bem vinda, Verena! Vamos com tudo!